“Economia do Maranhão deverá ter período positivo”

10-01-2011 17:55

O ano de 2010 se encerrou com a economia brasileira em alta, abrindo perspectivas ainda melhores para 2011, sobretudo por se tratar da continuidade de um projeto político iniciado por Lula e que agora será executa pela presidente Dilma Rousseff. O cenário de um novo ano para a economia brasileira e para o Maranhão, tomando como base o contexto político e a conjuntura mundial, é analisada nesta entrevista com o economista José Cursino Raposo Moreira.

O Estado - O fantasma da inflação voltou a assustar. O governo agiu certo ao elevar os juros, dificultar o crédito, entre outras medidas “amargas” com o objetivo de frear o consumismo e evitar a volta da inflação?

José Cursino Raposo - De fato existem tensões inflacionárias que levarão à superação das metas de 2010 e 2011, conforme pesquisas de bancos e consultorias vêm evidenciando. Seria preciso que a autoridade monetária usasse os instrumentos de que dispõe, tais como os que foram acionados no fim do ano. O que se questiona neste momento é a “solidão” da política monetária no enfrentamento da inflação, já que a política fiscal, especialmente a partir de 2008, tem sido relaxada, o que já levou a presidente eleita a anunciar aperto fiscal, inclusive com corte de verbas nas obras do PAC, a partir deste ano. Entretanto, não acredito em volta da inflação como existia antes do Plano Real, pois a estabilidade de preços é um valor da Nação que nenhum governo colocará em risco, conforme o próprio Lula demonstrou em 2003 ao assumir o comando do país sob desconfianças dos agentes econômicos e pressões inflacionárias.

O Estado - O senhor acredita que Dilma Rousseff continuará a política econômica da era Lula ?

Cursino - O grau de protagonismo global que o Brasil alcançou nos últimos anos e as modificações socioeconômicas que se operaram internamente no país impõem a Dilma Rousseff evolução não apenas na política econômica, mas naquilo que podemos chamar de “Estratégia Nacional para o Desenvolvimento Sustentável”. Ou seja: é preciso fazer mais que política econômica, necessita-se de ter um projeto de nação. Assim, acho que as mudanças mais importantes que ela precisa fazer para definir uma identidade do seu governo dizem respeito também à política de educação e à execução de políticas de desenvolvimento regional. No aspecto macroeconômico, contudo, a maior correção a ser feita é na área externa, contemplando o câmbio, acompanhada de medidas microeconômicas como a remoção da burocracia que trava as exportações e principalmente dotando o país de logística favorável ao comércio exterior.

O Estado - Quais as perspectivas de crescimento do país para 2011?

Cursino - A conjuntura mundial se caracteriza hoje por estagnação na Europa, Japão e Estados Unidos e intensa demanda de matérias-primas e alimentos pelos emergentes China e Índia. Para o Brasil, essa é ainda uma situação favorável a curto prazo, mas instável no médio e longo. Portanto, projeta-se um crescimento menor no começo do governo, inclusive porque o próprio setor público terá de promover um ajuste fiscal em 2011. Em relação ao setor externo, pode acontecer uma freada nas importações, à medida que o déficit em transações correntes se acentue, confirmando-se a projeção de atingir a cifra de US$ 60 bilhões já este ano.

O Estado - E para o Maranhão, como o senhor projeta 2011, tomando como base não só os grandes investimentos, mas a continuidade de um projeto de desenvolvimento iniciado pela governadora reeleita Roseana Sarney e o prosseguimento da parceria com o Governo Federal?

Cursino - No Maranhão vem ocorrendo um processo de investimentos liderados pela implantação da Refinaria Premuim da Petrobras que alcançará seu auge neste mandato da governadora Roseana Sarney. Tal circunstância induz a se esperar um período bastante positivo para a economia maranhense já a partir deste ano. Acho que o maior desafio que se apresentará nesse contexto é o de realizarem-se políticas públicas que otimizem os benefícios e minimizem os problemas desse ciclo de investimentos privados. O principal deles é o da educação de qualidade para a juventude maranhense, fazendo-a fator de inclusão no mercado de trabalho e de desenvolvimento de espírito empreendedor. A educação será o fator que decidirá se o Maranhão ascenderá para o grupo dos estados brasileiros com futuro promissor para sua população. Também é preciso atenção para estratégias de desconcentração do crescimento e para o desenvolvimento dos arranjos produtivos locais, o que permitirá “horizontalizar” os efeitos do novo ciclo de crescimento, criando ligação entre todos os setores da economia maranhense. Sendo assim, a participação e o apoio do Governo Federal são fundamentais e até um direito do nosso estado, que precisará de investimentos públicos de vulto nas suas grandes cidades, principalmente na capital, sob pena de haver um “apagão urbano”.

O Estado - A pauta de exportação maranhense é concentrada em minério de ferro, alumínio e soja. Os novos empreendimentos industriais em instalação no estado transformarão essa realidade?

Cursino - Há necessidade de diversificação e de agregação de valor às mercadorias que o Maranhão exporta. Os novos empreendimentos que estão se instalando no estado podem contribuir para o alcance desse objetivo, já que alguns deles operam em elos de cadeias produtivas com maior agregação de valor aos itens tradicionais de nossa pauta exportadora, como é o caso da aciaria de Açailândia ou a planta de cabos de alumínio do Grupo Brascopper, havendo ainda a planta de papel e celulose da Suzano. Entretanto isso ainda é pouco. Devem ser atraídas para o estado empresas de transformação industrial de novos produtos, com valor agregado de conteúdo científico e tecnológico, voltados tanto para o mercado interno quanto para o externo.

 (O ESTADO DO MARANHÃO; ED:1780; CADERNO CIDADES; ECONOMIA; MARANHÃO)

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