Atrasos em Santos atingem demais portos

09-12-2010 16:42

SANTOS - O Porto de Santos está em situação crítica e provoca um efeito cascata nos demais complexos de cargas do país, devido a sua alta incidência de atrasos nos embarques e desembarques e da longa espera para atracação de navios, aponta levantamento do Centro Nacional de Navegação (Centronave).

O cais santista ainda causa custos extras de US$ 95 milhões por ano aos armadores, aproximadamente 8% do frete das embarcações. O maior complexo marítimo do país é o estopim da ineficiência operacional portuária.

De acordo com o Centronave, de janeiro a setembro deste ano, os atrasos nos embarques e desembarques nos portos nacionais foram de 72.401 horas (3.017 dias), e as esperas das embarcações para atracação chegaram a 78.873 horas (3.286 dias).

Acréscimo - A somatória dos dois problemas ainda provocou o cancelamento de 741 escalas, um acréscimo de 62% sobre o mesmo período de 2009 (457). Já as escalas efetivadas caíram 9,1% no país, ficando em 4.237 ante 4.664 do mesmo período do ano passado.

Segundo o diretor-executivo do Centronave, Elias Gedeon, os cancelamentos explicam-se pelo congestionamento em Santos, que gera um efeito-dominó, prejudicando a operação nos demais portos.

Como exemplo do gargalo operacional no Porto de Santos,Gedeon revelou que as escalas efetivadas no Terminal de Contêineres (Tecon) Santos Brasil, o maior do país, caíram de 803 para 705, devido às horas perdidas.

Os atrasos nos embarques e desembarques na instalação cresceram 38,1% nos três trimestres fechados do ano, partindo de 12.348 horas para 17.054. O tempo de espera para atracar subiu 22,1%, de 11.599 para 14.163 horas.

Para piorar a situação, o Centronave verificou que os pátios dos terminais estão lotados, fruto da importação em alta. A situação fica ainda mais complicada quando se somam os tempos de carregamentos (aumento de 75% entre 2009 e 2010) e a vinda de navios maiores, o que reduz o número de berços disponíveis para atracações.

Cálculos do Centronave apontaram que o volume de contêineres movimentados em Santos aumentou 215% nos últimos 10 anos, mas a infra-estrutura operacional não acompanhou. O crescimento de berços foi de apenas 23% e da área alfandegada, de apenas 20% no período.

A soma dos problemas afeta o desempenho dos portos seguintes na rota de Santos. Segundo o Centronave, o armador acaba tendo de cancelar escalas, especialmente nos complexos da Região Sul.

(O Estado do Maranhão ed:17.649; Primeiro Caderno; Portos - pág. 08)

 

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