Brasil, Ucrânia, Maranhão e o espaço

11-01-2011 17:44

A conversa telefônica travada ontem pela presidente Dilma Rousseff com seu colega da Ucrânia, Viktor Yanukovich, sobre a retomada das negociações para a consolidação do grande acordo espacial entre os dois países por meio da empresa Cyclone Space aconteceu em boa hora. Foi, antes de tudo, uma demonstração cabal e inequívoca de que, ao contrário do que andaram sussurrando vozes pessimistas, o Programa Espacial Brasileiro (PEB) está de pé e que o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) é o epicentro de todas as iniciativas nessa direção.

Todas as informações e evidências já mostraram, por todos os ângulos, que a Cyclone Space – empresa pública formada em parceria pelo Brasil e pela Ucrânia e que tem por objetivo viabilizar o Projeto Cyclone, considerado essencial para a viabilização dos projetos espaciais dos dois países – é viável e tem todas as condições para se tornar uma potência nesse mercado. Sua existência está sustentada em estudos densos, que deram origem ao acordo entre o Brasil e a Ucrânia.

A viabilidade da Cyclone Space – que tem o comando do respeitado cientista Roberto Amaral, ex-ministro de Ciência e Tecnologia do governo do presidente Lula – está sustentada em três pilares. O primeiro é um a conjunção de dois fatores: a Ucrânia dispõe de rica tecnologia para construir e lançar foguetes, desenvolvida durante o regime soviético com os melhores quadros científicos do país, enquanto o Brasil, além da determinação de desenvolver o PEB, já dispõe da tecnologia básica e do CLA, considerado o melhor ponto do planeta para o lançamento de artefatos ao espaço.

O segundo pilar é o acordo firmado entre Brasil e Ucrânia, que pode ser traduzido como um documento no qual está definida e detalhada um política de cooperação produtiva, sem limitações políticas e que se baseia, principalmente, na correta troca de informações. Isso significa dizer que o Brasil terá acesso ilimitado à tecnologia ucraniana de desenvolvimento e lançamento de foguetes, o que poderá significar um salto da maior importância para o fortalecimento do PEB.

O terceiro pilar é o momento do Brasil. O país está se firmando no cenário econômico e tecnológico mundial, já é um dos grandes produtores mundiais de aviões, se destaca na busca de combustíveis renováveis, trabalha para fortalecer suas relações com as grandes potências e abre canais de aproximação com o Terceiro Mundo. O Brasil está, enfim, quase pronto para o grande salto, para o qual o seu programa espacial muito contribuirá. E nesse contexto o Maranhão será fator importante, por abrigar o CLA.

 (O ESTADO DO MARANHÃO; ED:1782; PRIMEIRO CADERNO; OPINIÃO; EDITORIAL)

 

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