Colapso de mão-de-obra

16-01-2011 15:52

 

Edilson Baldez das Neves

 

O Maranhão está próximo de viver um sério colapso de mão-de-obra, caso não haja uma ação urgente e enérgica dos governos estadual e federal, prefeituras municipais, empresas, instituições de ensino profissionalizante e universitário e a sociedade civil organizada. É necessário agir.

O cenário é de oportunidades. A previsão é de no mínimo 15 novos investimentos, seja implantação ou ampliação entre 2011-2015, com um grande volume de demanda por mão-de-obra simultaneamente, em grandes picos previstos para este ano e para 2013. Segundo a Secretaria Estadual de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, neste intervalo de quatro anos, serão no mínimo 200 mil empregos gerados na fase de construção.

Mas diante deste contingente, surge o primeiro grande questionamento: como atender a tamanha demanda de capacitação na área de construção civil ao mesmo tempo em diferentes localidades do Maranhão? São Luís, Açailândia, Estreito, Bacabeira, Godofredo Viana, entre outros? E o segundo grande questionamento: passada a fase de construção - quando se inicia a desmobilização da mão-de-obra - onde empregar ou como direcionar o contingente preparado para os demais investimentos?

Passada a euforia do início e execução das obras de construção, quantos maranhenses estarão preparados para a fase de operação, a fase real de empregos não temporários? E esta terceira preocupação vem atrelada a outra: a formação universitária hoje não está adequada ao perfil técnico e operacional exigido pelas indústrias.

O cenário é de oportunidades, mas a realidade é desafiadora e preocupante. O Sistema Fiema, por meio do Instituto Euvaldo Lodi, do Senai e do Sesi está empenhado neste processo, a fim de assegurar que os reais protagonistas deste novo momento sejam de fato os maranhenses.

Estamos ampliando nossas instalações, aumentando o número de cursos técnicos (perfil hoje altamente exigido no mercado). Estamos fazendo também investimentos em nossa infra-estrutura de laboratórios, na tecnologia de nossos equipamentos e em nossas unidades móveis, que levam o ensino profissionalizante a qualquer parte do Estado.

Mas é preciso corrigir graves distorções. Hoje, a falta de escolaridade básica não permite que os maranhenses cheguem a ultrapassar, pelo menos, os seletivos para participar dos cursos técnicos. Eles não obtêm nota mínima nas provas básicas de português e matemática.

Em virtude também da demanda por profissionais ser hoje maior que o total de formandos, face o total de investimentos que está sendo implantado de forma simultânea, há falta de capacitação técnica para as novas áreas que se anunciam como promissoras e, ao mesmo tempo, em relação aos cursos técnicos já existentes.

É preciso investir na formação acadêmica alinhada às necessidades das indústrias. Hoje, para 60% dos cargos com nível de engenharia em grande empresa local foram contratadas pessoas de fora do Estado. E que fique bem claro, não é pelo desejo da indústria, mas por falta do perfil acadêmico, técnico e comportamental que a vaga exige.

Não podemos mais esperar. Deve ser prioridade, uma ação enérgica pela educação em todos os níveis, pela parceria com o setor industrial para definir prioridades. É preciso investir na educação formal, na revisão da grade curricular dos cursos universitários. É necessário que todas as prefeituras, em especial as que estão ou estarão recebendo novos empreendimentos, preocupem-se em investir na educação profissionalizante.

O Maranhão pode sim viver um colapso de mão-de-obra. O que parece até um contra-senso diante do total de desempregados em nosso Estado, mas é esta a nossa realidade. Só para citar um exemplo, do total de 171 vagas oferecidas pela construtora Odebrecht em seu programa de capacitação, foram 1.100 maranhenses inscritos. Do seletivo realizado pela Vale para 1.500 trainees foram 49 mil candidatos.

As plantas industriais já instaladas como Vale e Alumar e os novos empreendimentos industriais estão investindo maciçamente em capacitação, embora, vale ressaltar não seja obrigação, mas parte de uma fundamental responsabilidade social assumida. É necessário que tal visão empresarial prevaleça, mas fruto também de uma parceria público-privada dentro de um planejamento de curto, médio e longo prazo com coresponsabilidades.

Temos uma tarefa bastante árdua e crucial pela frente. Não há tempo a perder. E com parceiros como governo estadual, prefeituras municipais, setor industrial e sociedade civil organizada não haverá outro caminho senão o do êxito. Então, que comecemos já a nossa séria e comprometida atuação integrada. Milhares de maranhenses aguardam esta tomada de decisão e principalmente esta oportunidade.

Presidente da Fiema

 

(O ESTADO DO MARANHÃO; ED. 17687; OPINIÃO – PÁG. 05)

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