Exportações brasileiras crescem e já bateram o recorde histórico

29-12-2010 16:45

Brasília - Contrariando todas as previsões feitas até agora, as exportações brasileiras já bateram o recorde histórico antes mesmo do fim do ano e podem ultrapassar a marca de US$ 200 bilhões até a sexta-feira. De acordo com os dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), ao final da quarta semana deste mês, as vendas externas acumularam US$ 197,999 bilhões, superando a meta de US$ 195 bilhões do MDIC e colada à projeção de US$ 198 bilhões feita na semana passada pelo Banco Central.

De acordo com a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), as vendas podem chegar a US$ 202 bilhões ao final do ano. Os números de 2010 também superam o recorde histórico das exportações registrado em 2008, que alcançou US$ 197, 942 bilhões. Com o novo resultado, o crescimento das exportações brasileiras é de 29% em relação aos US$ 152,9 bilhões de 2009, acima dos 19% esperados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para a recuperação das vendas mundiais em 2010.

Seguindo a tendência verificada ao longo de todo o ano, as importações também crescem rapidamente. No ano, deram um salto de 42% e já somam US$ 179 bilhões, bem próximo à projeção de US$ 181 bilhões feita pelo BC. Com isso, o saldo comercial brasileiro chega a US$ 18,8 bilhões, ultrapassando a estimativa de US$ 17 bilhões feita pela autoridade monetária e de US$ 16 bilhões projetada pelo MDIC.

Foi o resultado da balança comercial de dezembro que derrubou a maior parte das projeções. Durante as quatro primeiras semanas do mês, o saldo comercial chegou a US$ 3,95 bilhões, o maior resultado mensal do ano. Apenas na semana passada, o superávit registrado ficou em US$ 2,174 bilhões. Este resultado se deve, principalmente, ao súbito crescimento das exportações de petróleo e derivados, que aumentaram duas vezes de 20 a 26 deste mês.

Exportações - De acordo com o MDIC, essas exportações alcançaram a média diária de US$ 303 milhões na quarta semana de dezembro, superando em três vezes a média de todo o mês de novembro, que foi de US$ 90,4 milhões. “Ninguém, em sã consciência, poderia imaginar que em dezembro, que é tradicionalmente é um mês fraco, seria alcançado um superávit de US$ 4 bilhões”, diz José Augusto de Castro, vice-presidente da AEB.

Mas ele adverte que o resultado deve ser creditado mais ao aquecimento externo do que a ações adotadas pelo governo brasileiro. No ano, as vendas de minérios e a valorização do preço do insumo foram as principais responsáveis pelo aumento das exportações. “O Brasil acompanhou de camarote o mundo crescer e as exportações de minério de ferro dispararem”, afirma Castro.

Para o Ministério do Desenvolvimento, o desafio brasileiro será fazer as exportações crescerem pelo menos 12% em 2011, contra expansão das vendas globais de 9%, o que elevaria o market share brasileiro de 1,26% para 1,3%. Segundo o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, 2011 ainda será um ano difícil. O Banco Central, porém, projeta US$ 235 bilhões em exportações, enquanto a AEB aposta em um resultado de US$ 226 bilhões. As variações nas projeções feitas ao longo do ano, porém, mostram a fragilidade das estimativas em torno do comércio externo. Em novembro de 2009, a expectativa era de um volume de US$ 168 bilhões em exportações. Em junho, o número foi revisto para US$ 180 bilhões e em outubro foi atualizado para US$ 195 bilhões.

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Há dois anos, as vendas externas somaram US$ 197,942 bilhões. No acumulado deste ano, até a quarta semana de dezembro, as exportações já somam US$ 197,999 bilhões.

 

 

(O ESTADO DO MARANHÃO;ED: 17669; ECONOMIA; BALANÇA COMERCIAL)

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