“O PIB de Imperatriz cresce mais que o estadual e nacional”

10-01-2011 17:55

João Rodrigues

Da equipe de O Estado

Administrador de empresas e coordenador da Pesquisa sobre o Perfil Socioeconômico, Geográfico e Histórico, Eduardo Soares Sousa apresenta, em primeira mão, alguns dos dados do trabalho e comenta o desenvolvimento econômico do Maranhão

Imperatriz - Os primeiros dados da Pesquisa sobre o Perfil Socioeconômico, Geográfico e Histórico de Imperatriz, promovida pela Associação Comercial e Industrial (ACII), confirmam que o comércio e a prestação de serviços lideram o ranking de geração de empregos, mas a novidade é de que o segmento da indústria da construção civil está crescendo. O Produto Interno Bruto (PIB) do município no quesito renda per capta (por pessoa) evoluiu quase 97% em seis anos, com grande potencial de consumo. O que mais chama a atenção é que há espaço para crescimento em virtude da economia fortalecida. Nesta entrevista especial, o administrador de empresas, Eduardo Soares, coordenador da pesquisa, apresenta em primeira mão alguns dados da pesquisa e aborda o desenvolvimento econômico do Maranhão.

O ESTADO - Chegou a vez de o Maranhão avançar no setor econômico?

Eduardo Soares Sousa - Acredita-se que é sempre hora de se avançar economicamente, culturalmente etc, mas o estado do Maranhão na sua criação e em alguns momentos da história do país se destacou, ficando na frente de muitos estados. Sofreu influências internacionais e nacionais, sejam elas políticas e/ou econômicas, que contribuíram para o seu declínio em décadas anteriores. Nas últimas, os investimentos efetuados não foram suficientes para desenvolver a infra-estrutura como um todo; entretanto, assim como o país passa por crescimento econômico, o Maranhão também passa por bons momentos devido ao grande volume de investimentos industriais, comerciais, prestação de serviços e agronegócio, motivados tanto pela iniciativa pública quanto privada.

O ESTADO – O senhor vê riscos nesse processo de desenvolvimento com a mudança de governo, principalmente o Federal, em razão da política econômica?

Eduardo Sousa - Não se observa riscos políticos, pois este cenário não sofreu grandes mudanças, ocorreu apenas uma sucessão presidencial desejada e articulada pela atual presidência, e o Maranhão deu continuidade ao governo anterior. Falando de outros riscos, o Estado deve correr contra o tempo para melhorar a infra-estrutura nas estradas e portos, desburocratizar alguns processos para agilizar a máquina pública e pensar em uma reforma tributária para atrair mais investimentos. O Governo do Estado já tomou algumas providências.

O ESTADO - Falou-se que, a exemplo do Brasil, Imperatriz foi a última a sentir os efeitos da crise internacional e a primeira a sair dela. Numa hipotética nova crise, a reação pode ser a mesma ou poderá haver mudanças (falo isso sobre a questão econômica mesmo, tipo política de juros e outros)?

Eduardo Sousa - Não posso afirmar isso, pois esse dado é difícil de ser mensurado e observado. Fato é que Imperatriz não tem indústrias de médio e/ou grande porte, que exportam ou dependam de matéria-prima importada, além do mais não tem empresas de capital aberto, ou seja, aquelas com ações na bolsa de valores. Em uma nova crise e o cenário de Imperatriz continuando o mesmo, não sofreríamos influências diretas. O que se observou em Imperatriz foi uma restrição maior para concessão de crédito e variação das taxas de juros nos bancos de fomento, as empresas investindo com mais cautela e fazendo reservas para se evitar possíveis problemas de crédito na praça e conseqüentemente financeiros na empresa.

O ESTADO - Economistas dizem que o Maranhão, sobretudo a Região Tocantina, poderia aproveitar melhor o setor agropecuário com a criação de indústrias de cintos e casacos de couro para exportação e o Município poderia incluir aulas básicas de economia no ensino fundamental para incentivar microeemprendorismo. Qual sua opinião a respeito?

Eduardo Sousa - Concordo que poderia se aproveitar melhor a produção de couro para industrialização de artigos, pois na região ainda se recebe o couro, beneficia-se e enviamos para outros estados para completar o ciclo de beneficiamento, para em seguida produzir e exportar - em grande maioria- o melhor da indústria do couro. Acredito que deveríamos criar políticas para desenvolver as indústrias no Maranhão, com um trabalho específico para os setores mais promissores. Também concordo em incluir aulas de empreendedorismo no ensino fundamental e também no médio, para que as crianças possam desenvolver o espírito empreendedor desde cedo. Isso já é realidade nos estados do Paraná e Santa Catarina.

O ESTADO - Concluída a pesquisa para traçar o perfil socioeconômico, geográfico, demográfico e histórico do município de Imperatriz, qual é a leitura que você faz desse trabalho realizado pela Associação Comercial e Industrial?

Eduardo Sousa - A média de crescimento do PIB de Imperatriz é 14,3%, maior que a média nacional e estadual. Na composição do PIB de Imperatriz, a maior participação ainda é o setor do comércio somado ao de serviços, apresentando uma média de 82,05% de participação no Produto Interno Bruto do município, nos últimos oito anos. A indústria, por sua vez, apresenta uma média de 15,23% de participação no período analisado e, por fim, tem-se a agropecuária com uma média de 2,72%. A indústria imperatrizense vem apresentando avanços, mas ainda é, em sua grande maioria, composta de micros, pequenos e médios empreendimentos.

O ESTADO – E quanto à agricultura?

Eduardo Sousa - A agricultura do município, após várias emancipações ocorridas ao longo da década de 1990, perdeu área territorial e, com isso, há limites para seu avanço. No entanto, é bom observar que grande parte dos produtos e serviços é ofertada em Imperatriz. Um importante indicador econômico é a arrecadação tributária e, no caso do Município, pode-se observar crescimento contínuo, como a participação na arrecadação de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), importante tributo estadual, que vem crescendo ao longo dos últimos seis anos. Isso demonstra que a economia está aquecida e que tem força regionalmente e grande importância para o Maranhão. Foi possível observar também uma importante evolução do PIB per capita de Imperatriz, 96,47% em seis anos, isso demonstra um potencial de consumo crescente. Comércio por atacado, representações comerciais e agentes de comércio representam 20,6% das empresas por atividade. Fatores como localização, mão-de-obra, e infra-estrutura local contam positivamente para tal percentual. É importante observar que em todas as outras atividades há espaço para crescimento, dado a dinâmica crescente da economia do município.

O ESTADO - Qual são os números da geração de empregos em Imperatriz?

Eduardo Sousa - Nós descobrimos que no período de 2000 a 2009 o número total de empregos formais gerados no município de Imperatriz cresceu 119,30%. A atividade de serviços ofertou 44,98%, comércio 109,15% e indústria 174,32%. É possível observar grandes avanços na geração de mão-de-obra na maioria das atividades, o que demonstra de forma clara crescimento econômico. O setor da construção civil apresentou um enorme avanço na geração de empregos formais, 469,69% no período de 2000 a 2009. Isso demonstra que Imperatriz, assim como outras importantes cidades brasileiras, está vivendo um momento de expansão na construção civil, com especial atenção à residencial.

O ESTADO - As dificuldades comuns na coleta de informações chegaram a preocupar por comprometer alguma atividade?

Eduardo Soares - Não houve grandes dificuldades, pois o trabalho fora planejado com tempo e com uma equipe competente. Foi acompanhado pela diretoria da ACII. A única dificuldade foi a classe empresarial receber entrevistadores em suas empresas. Isso não é um hábito, trabalhamos com visitas diretas e agendamentos para chegar a um número aceitável para a pesquisa, pois num universo de quase 8 mil empresas foram entrevistadas 3 mil. Foi um trabalho de seis meses apenas de pesquisa de campo. Poucos empresários tiveram receio de receber os pesquisadores. Isso se deu devido à falta de hábito que os empresários ainda têm de receber entrevistadores com um questionário complexo e completo na sua empresa.

O ESTADO – Há alguma atividade nova no mercado ou na região que tornou-se mais vigorosa economicamente nos últimos anos?

Eduardo Sousa - O comércio e a prestação de serviços ainda são grandes geradores de emprego e renda, seguidos da indústria, mas a construção civil vem apresentando um constante crescimento na geração de emprego pois a cidade passa por um crescimento vertical e horizontal nesse setor. Imperatriz passa agora por um momento importante no seu crescimento, com o advento da indústria de grande porte.

O ESTADO - Diante desses dados, que tipo de ação a Associação Comercial e Industrial de Imperatriz deverá implementar?

Eduardo Sousa - O Perfil de Imperatriz continuará atualizando as informações após a sua publicação, que ocorrerá em breve, pois o livro já está em processo de edição e logo em seguida irá para a impressão. A ACII já tem estrutura física e de recursos humanos para continuar desenvolvendo a pesquisa em Imperatriz, buscando sempre parcerias com instituições de ensino tanto públicas quanto privadas. Busca também parcerias com instituições financeiras e entidades públicas comprometidas com o crescimento e desenvolvimento de Imperatriz e região.

O ESTADO - A chegada de novas empresas é resultado da pesquisa?

Eduardo Sousa - Não diretamente, pois será publicada em breve, mas ela despertou em Imperatriz a busca de informações importantes e que poderiam atrair mais investimentos. Tanto o governo municipal quanto o estadual tiveram grande participação na realização da pesquisa.

O ESTADO - Esses dados vão mesmo ser disponibilizados para consulta pública?

Eduardo Sousa - Sim, serão disponibilizados por meio do site da Associação Comercial e Industrial de Imperatriz. A população e investidores poderão consultar as informações.

O ESTADO - Como é que você viu a medida adotada pela Prefeitura, que aprovou uma Lei criando uma espécie de "pacote fiscal", com redução de impostos e zerando o IPTU em alguns casos, para atrair novas empresas?

Eduardo Soares - Uma iniciativa louvável e necessária para se atrair novos investimentos. Além disso, deu-se também oportunidades para os empresários, que já investem na cidade para ampliação e implementação dos negócios.

O ESTADO - E o Distrito Industrial?

Eduardo Sousa - O Distrito Industrial saiu do papel. Já temos várias empresas instaladas e outras em processo de instalação. A Secretaria da Indústria e Comércio está trabalhando para concluir a instalação de indústrias, mas acho que já temos a necessidade é de um novo Distrito Industrial, porque o que há já não comporta tantas indústrias que estão demonstrando interesse.

O ESTADO - A Associação Comercial vai manter parcerias com universidades e faculdades como ocorreu com a pesquisa ou aquela foi uma situação excepcional?

Eduardo Sousa - Sim, a ACII vai manter parcerias com as universidades e faculdades para o desenvolvimento de novas pesquisas e a atualização anual do Perfil Imperatriz. Para isso, manterá um laboratório de pesquisas.

O ESTADO - Qual é a expectativa do setor empresarial de Imperatriz para 2011?

Eduardo Sousa - Na pesquisa de gestão empresarial, foi perguntado aos empresários sobre a expectativa do mercado e sobre os seus investimentos. A grande maioria afirmou que o mercado de Imperatriz é aberto a novos investimentos. Eles revelaram que continuarão investindo, tanto em estrutura quanto em qualificação de mão-de-obra. A classe empresarial vive momento otimista.

PERFIL

NOME

Eduardo Soares Sousa

IDADE

29 anos

ESTADO CIVIL

Solteiro

NATURAL

Imperatriz

PAIS

Manoel José de Sousa e Maria Soares Sousa

IRMÃOS

13

FORMAÇÃO

Bacharel em Administração de Empresas com

pós-graduação

em Gestão de Finanças e Projetos

CARREIRA

Eduardo Soares é o primeiro de 13 irmãos a fazer um curso superior. A formação em administração

e gestão de finanças e projetos foi resultado de

um sonho de criança. Em vez de programas para sua idade, ele preferia os noticiários sobre economia. Com a formação em administração ele começou a trabalhar.

 (O ESTADO DO MARANHÃO; ED:1780; CADERNO CIDADES; IMPERATRIZ)

 

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