Vale Beijing a salvo
Na edição de ontem, O Estado levou ao conhecimento público uma notícia que causou alívio à Vale, aos administradores e operadores do Porto da Ponta da Madeira, a todo o complexo portuário do Itaqui, aos responsáveis pela produção dos supernavios para o transporte de minérios da categoria Valemax, por fim, aos maranhenses em geral: o gigantesco Vale Beijing já não corre o risco de afundar e está preparado para seguir viagem. Isso porque, graças a um trabalho exaustivo, no qual foram usados equipamentos adequados e um grande suporte de tecnologia operacional, dois meses depois do acidente que lhe abriu um rombo no casco durante o seu primeiro carregamento, o navio já não corre o risco de ir a pique. Salvou-o um eficiente sistema de bombeamento de água, que permitiu as manobras que se seguiram.
O alívio causado pelo, digamos, salvamento do Vale Beijing tem várias explicações, além da tragédia náutica evitada. Para começar, a Vale manteve na linha d'água um mineraleiro novo em folha, de primeira viagem, construído a um custo de mais de US$ 100 milhões e que foi por ela arrendado à multinacional coreana STX por um período de 25 anos para transportar minério de ferro de São Luís para todos os continentes. Sua perda seria um prejuízo considerável para a empresa à qual pertence, bem como para a mineradora brasileira, que teria prejudicado a sua gigantesca estrutura de transporte marítimo, o que a faz uma das empresas mais importantes no atual cenário mundial.
Durante o que seria o seu primeiro carregamento na Ponta da Madeira, quando já tinha recebido 260 mil das 390 mil toneladas de ferro que transportaria para a China, o Vale Beijing - que tem 360 metros de comprimento e 400 mil toneladas de porte bruto - começou a naufragar, num processo lento, mas que exigiu uma operação de grande proporção com o objetivo de impedir um desastre que poderia causar um colapso naquele terminal portuário. O navio foi levado para distante do porto, numa área da Baía de São Marcos onde não oferecia risco para o complexo portuário nem para a navegação, que é intensa nessa região marítima.
Avaliações as mais diversas previam, não obstante todos os esforços para salvá-lo, que o Vale Beijing naufragaria. A evolução dos fatos, porém, demonstrou o contrário e desmontou as previsões pessimistas. Uma série de operações, entre elas a de descarregamento da maior parte do minério armazenado em seus porões, possibilitou não apenas a estabilização da nave, mas também a criação das condições que permitirão o seu deslocamento até um estaleiro, onde possa receber os reparos que possibilitarão o seu retornou à frota da Vale.
Uma boa notícia, de fato. (Fonte: O Estado do Maranhão)