Editorial: Desafios da Vale

06-01-2012 08:31

A mineradora Vale tem uma lista de desafios para este ano. Além de ter de superar gargalos, como a dificuldade na obtenção de licenças ambientais e a demora na entrega de equipamentos, para executar o orçamento de US$ 21,4 bilhões, terá de demonstrar habilidade para negociar com os clientes, que a pressionam para pagar menos por seu minério de ferro. O preço do minério promete ser o principal desafio, pois é o que afetará o resultado da empresa.

A Vale também terá de rever sua estratégia logística, a fim de driblar a resistência chinesa a seus supernavios. A duração média de implantação dos projetos mostra a complexidade dos gargalos com que a empresa tem se deparado. O tempo para que um projeto de cobre saia do papel, por exemplo, é de 47 a 63 meses, contra 24 a 50 meses na média da indústria.

Os de minério de ferro - carro-chefe dos negócios da mineradora - estão em melhor situação, com médias até inferiores às das concorrentes. Mesmo assim, a companhia se viu obrigada a adiar dois anos uma de suas principais iniciativas na área: Carajás Serra Sul (PA), mina que terá capacidade de produzir 90 milhões de toneladas de minério por ano a partir de 2016. O volume é quase um terço da produção de minério esperada para 2012 (312,2 milhões de toneladas).

O principal entrave à execução dos projetos tem sido a demora na liberação das licenças ambientais. Mas este não é o único problema. A lentidão na entrega de equipamentos é outro obstáculo. As encomendas de locomotivas, que antes batiam à porta da Vale em 12 meses, hoje levam 18. Resultado da elevada demanda da indústria de mineração.

Para superar os gargalos, a Vale tem adotado uma série de medidas. Criou um comitê executivo para agilizar as demandas por licenciamento, que tem se reunido uma vez por semana para debater os projetos. O presidente da mineradora, Murilo Ferreira, também tem buscado estreitar a relação com a cadeia produtiva e já ordenou a antecipação das compras de materiais sempre que possível, para evitar surpresas na entrega de equipamentos.

As ações se estendem a programas de formação de mão de obra, cuja escassez também se tornou uma dor de cabeça para a companhia. Mês passado, Vale e CNPq firmaram parceria para duplicar o número de bolsas de iniciação científica e tecnológica em engenharia no país. A empresa também já tem à mão um mapeamento de sua demanda de contratações para este ano: 600 engenheiros e 1.500 técnicos.

O esforço para colocar novos projetos em prática se fundamenta na aposta da Vale de manutenção da demanda chinesa por seu minério de ferro, mesmo em tempos de crise. No entanto, de maneira irônica, a China é também uma pedra no sapato da mineradora. Vem de lá a forte pressão para que a empresa reduza os preços do minério. Com base em dados do Banco Mundial, a média anual estimada para o preço do minério de ferro é de US$ 150 a tonelada este ano, 14% menos que a média de US$ 175 de 2011.

Em outra frente, a Vale protagoniza um duelo com o gigante asiático. A empresa fez uma encomenda bilionária de 35 supernavios, para reduzir o frete para a China e, assim, tornar-se mais competitiva em relação às concorrentes australianas. Até agora, porém, apenas uma embarcação conseguiu aportar no litoral chinês, devido à pressão contrária dos donos de navios locais. O recente incidente no litoral do Maranhão com o Vale Beijing, um dos supernavios, só tem alimentado o discurso dos empresários chineses.

A Vale, mesmo nesse contexto, tem estrutura e experiência de sobra para superar as adversidades. (Fonte: O Estado do Maranhão)

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