Vale Beijing chega a estaleiro da Coreia do Sul para reparos
Supercargueiro sofreu rachaduras no casco durante a sua primeira operação de carga de minério de ferro no terminal de Ponta da Madeira.
O navio cargueiro Vale Beijing, que sofreu rachaduras no casco em sua viagem inaugural, enquanto carregava minério de ferro no Terminal Portuário Ponta da Madeira (TPPM/Vale), em São Luís (MA), em dezembro de 2011, finalmente chegou ao estaleiro Jinhae, na Coreia do Sul, base da STX Offshore & Shipbuilding Co., que o construiu e deve realizar os reparos definitivos.
A embarcação é da classe Valemax, os maiores mineraleiros (conforme denomina a Vale) do mundo, com 361 metros de comprimento, 65 metros de largura, 23 metros de calado máximo (distância da linha d'água até o fundo do navio) e capacidade de carga de 390 mil toneladas. O estaleiro da STX na Coreia do Sul, de acordo com agências internacionais de notícias, está construindo mais sete cargueiros do porte do Vale Beijing.
O Vale Beijing chegou a Jinhae no fim de semana, segundo sites de monitoramento marítimo via satélite, e está programado para atracar nos próximos dias num dique seco do estaleiro, onde serão realizados as inspeções necessárias, a avaliação dos danos no casco e o conserto.
Omã - O Vale Beijing, antes de chegar a Jinhae, descarregou 260 mil toneladas de minério de ferro que estavam em seus porões, carga avaliada em US$ 50 milhões. A operação ocorreu no porto de Sohar, em Omã, país da Península Arábica, onde o navio fundeou no início de março.
O cargueiro partiu da costa de São Luís no dia 19 de fevereiro, depois de terem sido efetuados reparos emergenciais nos tanques de lastro localizados na popa (traseira). A viagem foi acompanhada pelo rebocador de alto-mar Fairmount Alpine pela costa leste da África, no Atlântico Sul, uma medida de segurança determinada pela autoridade marítima do Maranhão, para resgatar a tripulação no caso de um eventual naufrágio. No restante do trajeto, pela costa oeste africana até Omã, o navio seguiu sozinho.
Acidente - Da atual frota de cinco Valemax, apenas um acidente foi registrado até o momento, com o Vale Beijing, que estava programado para carregar 380 mil toneladas de minério de ferro em Ponta da Madeira, mas ocorreram as rachaduras no casco quando o volume de carga chegou a 260 mil toneladas.
O navio foi retirado às pressas do terminal portuário e fundeado a 60 km da costa. Depois do acidente, técnicos da Marinha e da empresa proprietária do navio, a STX Pan Ocean (empresa do mesmo grupo do estaleiro STX Offshore & Shipbuilding Co.), da Coreia do Sul, onde a embarcação foi construída, fizeram várias vistorias, e um reparo de emergência foi efetuado no casco.
O risco de um naufrágio, durante o período de fundeio na Baía de São Marcos, sempre existiu, embora as autoridades marítimas e ambientais o tivessem minimizado, assim como fizeram representantes da STX.
Para diminuir os riscos ambientais de um eventual naufrágio, foram retiradas do navio 6,5 mil toneladas de óleo combustível (bunker). Essa operação foi realizada a 60 km da costa, onde o cargueiro estava fundeado. O navio-tanque Sea Emperor, que presta serviço de abastecimento de combustível em navios em alto-mar, realizou o trabalho.
Outra medida tomada foi o remanejamento da carga que estava no porão número 7, localizado na área onde ocorreram as rachaduras no tanque de lastro. Foram redistribuídas 39 mil toneladas de minério para outros compartimentos. Esta operação propiciou estabilidade ao navio, que apresentava um desnível (derrabamento) de quatro metros da popa em relação à proa (parte frontal da embarcação).
Para realizar esta operação, foram instalados no convés do cargueiro um conjunto de esteiras e um guindaste com garras (grabs), pois não havia no sistema portuário local os maquinários necessários para a retirada da carga - Ponta da Madeira é um terminal construído para realizar carregamento de minério, essencialmente. Já o de Sohar é equipado para descargas.
Mais
O Vale Beijing faz parte de uma nova categoria de navios, conhecida como Valemax. Eles surgiram a partir de uma demanda da companhia brasileira de mineração por embarcações que pudessem transportar volumes cada vez maiores de minério de ferro. A Vale encomendou 35 navios a estaleiros coreanos e chineses. Pelo acordo, 19 deles são de propriedade da Vale e os outros ficarão com embarcadores que prestarão serviços para a Vale por, no mínimo, 25 anos. (Fonte: O Estado do Maranhão)